Como fiz as pazes com a ansiedade - Parte 3

Postado por rui vladman fonte em segunda, novembro 5, 2012 Em: Casos

Durante dois anos andei sempre a saltar de médico em médico, de medicação em medicação, tinha fugidas durante a noite com destino as urgências do hospital para me darem a "amarguinha", já que era a única coisa que acalmava os sintomas, já era um vicio, até que comecei a ficar conhecido nos hospitais e me começaram a negar a dose. A "amarguinha"não é mais nada que uma dose maciça de Valium metida num copo e bebe-se, sabe mal e é amarga dai o nome, literalmente ficamos nas nuvens, isto de inicio porque depois o corpo habitua-se e são precisas doses mais altas o que no hospital não as dão, resumindo a solução não estava ali.
 
De rastos!!!
 
Foi por volta desta altura que comecei a pensar um pouco na pouca vontade que tinha pela vida, andava de rastos, adormecia em tudo o que era sitio, sem vontade de nada, nada me fazia sentido. Tudo ajudou para pensar e estar assim, não via melhorias, os médicos (privados e públicos) nunca me inspiravam tranquilidade, tinham muitas teorias mas as soluções eram escassas, sempre com a mesma resposta de tratamento, medicação. Aqui gostava de falar um pouco sobre esta fase, não posso dizer que tive azar com os profissionais de saúde que apanhei, não, foram dezenas e todos eles com uma coisa em comum todos eles me viam como "mais um", o diagnóstico era ataques de pânico e\ou ansiedade onde a solução mais correta e única era a medicação.

Tive historias curiosas para além das banais "olá como esta? Só o conheço a dez minutos e como sou o Drº House cá da zona e você tem ansiedade" e eu pensava "bolas mas que médico bom sabe o meu nome e idade e em 10 minutos já sabe o que tenho", bem, houve uma (psiquiatra) estava no meio de uma consulta puxa de um cigarro e mete-se a fumar! Nem lhe dei oportunidade de acabar, levantei-me e sai, outra, após de fazer umas analises fui mostrar-las a um medico (clínica geral), os valores do fígado estavam bem alterados, então não é que me começa com a conversa que o álcool é a razão de andar assim! Bem eu não bebia e expliquei para ele que devia de ser devido ao veneno que os colegas dele me andavam a dar, mas ele diz, não pode ser e se você deixar de beber vai ficar bom, mas que doido, pensei eu.

Impossível ser ansiedade

Então comecei a entrar numa nova fase, já que os médicos não me adiantavam nada resolvi meter na cabeça que a ansiedade afinal não existia e tinha que ter outra coisa, comecei a fazer tudo o que eram exames ao corpo e vos digo cada semana pensava que tinha um problema num sitio diferente, fiz de tudo, raios-x a tudo o que era sítio, ecografias ao coração e abdominal, tomografias axiais computorizadas(TAC), ressonâncias magnéticas, provas de esforço, electroencefalogramas, despiste da diabetes, registos Holter, endoscopias, electrocardiogramas, analises mensais, até exames de oftalmologia fiz, vejam lá o meu desespero, houve ainda outras que já nem me quero lembrar mas estes foram os mais relevantes, isto demorou cerca de um ano, ano e meio, durante esse tempo andava religiosamente sempre medicado sem melhorias dos sintomas.

Apesar do meu vencimento mensal ter ido directamente para exames de despiste, descobri uma coisa muito importante, todos deram negativo, ao menos isso, nada de errado! Mas que raio se passa comigo, pensava eu, ponto da situação, uma bateria de exames negativos e os médicos a dizer que tenho uma doença que não se vê! O meu próximo passo foi arranjar o melhor médico da cidade e não o largar até me dizer o que se passava comigo.

Parte 4
Parte 2

Em: Casos 


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Rui F. Sei que ter ansiedade atrasa todo o processo da vida e pelo que dedico muitas horas para levar até si tudo o que possa ajudar a compreender esta doença. Foi uma forma que encontrei para tornar útil a minha ansiedade.
  

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