Como fiz as pazes com a ansiedade - Parte 6

Postado por rui vladman fonte em sábado, novembro 24, 2012 Em: Casos

Até ao momento talvez mais de 80% de todas as visitas feitas a profissionais de saúde foram de nível privado, para isso adquiri na altura (actualmente ainda tenho) um bom seguro de saúde para combater as inúmeras visitas ao médico, exames e tratamentos. Não estou a dizer que o serviço público é mau mas definitivamente é lento e andava à procura de respostas rápidas e eficazes, engano meu a pensar que as ia encontrar no sistema privado de saúde, talvez tenha cometido ai um erro mas hoje olho para ele como apenas mais uma fase.

Do privado para o publico

Um dia recebo uma carta em casa do ministério da saúde a dizer que tinha de me apresentar no meu médico de família, caso contrário me iam eliminar do sistema, bem eu já não ia lá aos séculos e acabei por ir, afinal não queria ser eliminado. Quando me apresentei nem fazia questão de explicar à médica o que eu tinha, mas conversa puxa conversa lá acabamos numa conversa franca e longa, no final tive como resposta nenhum medicamento (o que fiquei de boca aberta) e uma "dica" de ouro, o ministério da saúde tinha aberto uma clínica psicóloga mesmo para estes casos na minha zona, passou-me uma recomendação e mal sai do consultório fui logo à tal clínica marcar a minha presença.

Uma mudança de estratégia

Quero recordar que neste momento não fazia nada para alem do emprego, estava com um nível 3 de ansiedade e para a combater tomava paroxetina, victan em caso de s.o.s (ás vezes lá calhava), lia e informava-me em todos os cantos da blogosfera. Bem, naquela clínica de psicólogos andei lá cerca de talvez meio ano, vos digo uma coisa, nunca ninguém se tinha preocupado tanto comigo, fiz tudo o que tinha direito, desde testes psicológicos, de QI, o teste de Rorschach ( nunca me ri tanto numa consulta) entre outros, foi muito bom e esclarecedor, o engraçado foi isto, nunca soube os resultados e o diagnostico final, transtorno de ansiedade generalizada, a recomendação, terapia cognitivo-comportamental no maior e mais conceituado hospital psiquiátrico do pais.

Terapia cognitivo-comportamental

A passagem por este hospital deitou por terra todo o meu conhecimento que tinha adquirido nos últimos sete anos, por muitas razões, esta terapia demorou um ano mais uns três meses porque tive um bónus, já falo dele. Esta terapia é simples, faz lembrar aquelas reuniões dos alcoólicos anónimos, o principio é juntar um grupo de pessoas com a mesma doença e discutirmos entre nós o tema. Ela é liderada por um\a psicóloga\o que nos vai dar literatura, os mecanismos e como nos preparar, é como se fosse um curso intensivo.

Vou dar um exemplo curioso, um tema durante uma semana foi induzir um estado de pânico até ficar-mos em hiperventilação, depois era nos ensinado como acalmar, como? Por exemplo com a técnica de respiração diafragmática e na verdade até resultava, embora ter um ataque de pânico violento não induzido nem nos lembramos é de nada, mas percebe o objectivo desta terapia? Para além do mais, o contacto com pessoas com a mesma doença é ouro sobre azul. Havia lá todo o tipo de pessoas, desde bancários a cantoneiros, mas a que mais me marcou foi uma enfermeira que estava colocada numa unidade de queimados pediatria, coitada não aguentou e estava a pagar bem por isso, outra coisa achei curioso foi a faixa etária, ninguém tinha mais de trinta anos!

O bónus

Durante uma conversa de fobias comecei a falar da minha, o medo de viajar de avião, então foi-me proposta outra terapia especifica para estes casos. Então em que consistia? Na altura havia um programa financiado pela companhia aérea nacional para estes casos, literalmente era falar com pilotos, mecânicos, engenheiros e fazer viagens simuladas com todo o tipo de situações, avarias, turbulência, etc. Resultou? Não, apesar de já ter andado de helicóptero e avião continuo a não gostar, mas foi uma boa terapia.

Resultado de tudo isto, consegui baixar o meu nível de ansiedade para o nível 2, mas ainda não estava satisfeito, ainda me atrapalhavam a minha qualidade de vida, no próximo artigo vou explicar como consegui baixar o meu nível de ansiedade para 0.

Parte 7
Parte 5

Em: Casos 


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Sobre Mim


Rui F. Sei que ter ansiedade atrasa todo o processo da vida e pelo que dedico muitas horas para levar até si tudo o que possa ajudar a compreender esta doença. Foi uma forma que encontrei para tornar útil a minha ansiedade.
  

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